As conquistas e desafios do educador físico em um mercado em constante transformação

Antes relegados ao status de meros executores de atividades físicas ou instrutores que ministravam o esporte na escola, o profissional de educação física ganhou reconhecimento junto à sociedade e, hoje, busca tornar as relações de trabalho e o mercado mais profissionalizados e justos.

Antes relegados ao status de meros executores de atividades físicas ou instrutores que ministravam o esporte na escola, o profissional de educação física ganhou reconhecimento junto à sociedade e, hoje, busca tornar as relações de trabalho e o mercado mais profissionalizados e justos.

 

 

Nos últimos dez anos, poucas profissões tiveram tantas transformações quanto a de educador físico. Desde a regulamentação da profissão pela lei 9.696, de 1º. de setembro de 1998, a atuação desse profissional passou a ser mais valorizada, hoje fazendo parte de um contexto maior, focado na busca por mais saúde e qualidade de vida.

Assim, se no início ele tinha apenas a opção de formação em licenciatura, o que lhe tornava apto a atuar somente na área educacional, ministrando aulas em escolas do ensino fundamental e médio, com a instituição da formação em bacharelado, esse profissional ganhou um amplo campo de trabalho, podendo trabalhar em diversas outras áreas, que envolvem desde academias, clubes, spas, hotéis, clínicas, prefeituras etc.

Para se ter ideia, o Conselho Regional de Educação Física (CREF-4) de São Paulo elaborou uma relação com 84 pontos de atuação para os profissionais de educação física. O Estado de São Paulo, segundo o CREF-4, possui 160 escolas que oferecem o curso nessa área. E a tendência é esse número aumentar.

“Hoje, com a busca por maior qualidade de vida e melhoria da saúde, o educador físico tornou-se um profissional mais valorizado e procurado por suas competências na formação e no desenvolvimento das pessoas. Ganhou credibilidade e integra equipes multidisciplinares, atuando ao lado de médicos, nutricionistas, fisioterapeutas etc. e trabalhando no tratamento de patologias que antes não atuava. A tendência é que a profissão evolua continuamente, pois, cada vez mais, as pessoas buscam a atividade física como uma maneira de viver melhor”, comenta Flavio Delmanto, presidente do CREF-4.

Segundo ele, a maior valorização da profissão também veio acompanhada pela melhor formação desse profissional, que adquiriu maiores conhecimentos científicos, passando a conhecer sobre anatomia, fisiologia, biologia etc. “Com a obrigatoriedade do diploma e a criação do bacharelado, as escolas tiveram de modificar sua grade curricular para atender à demanda desse mercado de trabalho. Com isso, esses profissionais possuem hoje uma outra formação, voltada não só para a área educacional”, afirma o presidente do CREF-4.
Entretanto, apesar do vasto campo de trabalho, muitas empresas ainda têm dificuldades para encontrar profissionais de educação física interessados em outras áreas que não as academias.

“Em spas, hotéis e colônia de férias, a procura por profissionais de educação física tem aumentado a cada ano, porém, nos dois últimos segmentos dividimos o mercado com profissionais das áreas de turismo e hotelaria”, revela Vivian Carvalho, diretora da Let’s Assessoria Esportiva.

Outro segmento que tem aumentado bastante a oferta de vagas para profissionais de EF, segundo Vivian, são os cruzeiros, que, geralmente, oferecem boa remuneração. Já os condomínios, em geral, estão começando a despontar, mas a oferta de empregos ainda é pequena.

Já na opinião de Delton Cervinho Ferreira Lima, formado em Educação Física pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em 1998, as principais mudanças na profissão estão na demanda. “O público consumidor que pertence à era do Código de Defesa do Consumidor é mais consciente dos seus direitos, e, diferentemente dos profissionais, entende a prática de atividade física como prestação de serviços. A regulamentação da profissão é um ponto positivo, sem dúvida, assegurando o mercado aos profissionais de educação física, transmitindo-lhes suas responsabilidades nos âmbitos profissional e civil”, avalia Delton.
Delton é um bom exemplo de profissional que conseguiu gerenciar sua carreira, ampliando seus conhecimentos e buscando aumentar seus ganhos. Para se ter ideia, depois da graduação, ele investiu em especializações, pós-graduações e MBA em diversas áreas, como desporto escolar, fitness aquático, musculação, marketing esportivo, gestão empresarial e marketing.
Mas antes dos cursos de especialização, ele foi aprovado em dois concursos públicos (estadual, obtendo o quinto lugar, e, posteriormente, municipal), um nicho não muito procurado pelos profissionais, mas que pode ser uma opção bastante interessante.
“Decidi fazer vários cursos não por exigência do mercado, mas porque sentia uma necessidade de tornar meus conhecimentos mais rentáveis e atuar de maneira mais profissional. Uma das discussões mais recorrentes nas minhas aulas em universidades é a lacuna existente entre a formação acadêmica e a demanda do mercado de trabalho. Além disso, percebia uma necessidade das empresas de médio e pequeno portes terem uma assessoria na área administrativa com profissionais que entendessem realmente as suas necessidades. Vi empresas serem montadas sem que fosse feito qualquer cálculo de payback, criação de novas modalidade sem cálculo da margem de contribuição, compra de maquinário sem o cálculo de valor presente líquido, e empresas que sequer sabiam qual era o seu ponto de equilíbrio”, conta.
De acordo com Delton, além da área educacional, existem outras opções de atuação mediante concurso para os profissionais de EF, como em órgãos militares e empresas públicas com atividade física laboral ou esportiva.

Perspectivas positivas

Na verdade, nos últimos anos, os cursos de educação física realmente estão sendo bastante procurados nas universidades. Com a proximidade dos grandes eventos esportivos, que serão realizados no Brasil, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas 2016, espera-se que um número maior de jovens ingresse nessa área.

“O cenário é excelente, especialmente em função da realização das Olimpíadas 2016, pois o foco será ainda maior na importância dos esportes e da atividade física. A educação física é opção de carreira maravilhosa, propiciando amplas áreas de atuação, desde treinamentos, palestras, gestão, consultoria, eventos outdoor, personal training, etc. Portanto, raramente um professor de educação física ficará desempregado. Mas assim como qualquer outra profissão, o seu sucesso estará onde ele colocar a sua paixão e respeitar os seus valores e sua missão”, comenta Marynês Pereira, diretora-executiva da Provider Solutions, empresa especializada em coaching, gestão, treinamentos e palestras, e autora do livro Sua carreira, um verdadeiro show!, lançado pela Editora Phorte.

Segundo ela, hoje, um dos maiores desafios para profissões técnicas é perceber o contexto, analisar as tendências de mercado e entender o significado dos movimentos do mundo externo. “É importante deixar o exagero do discurso tecnicista de lado para poder melhor atender às expectativas dos clientes. Ainda hoje, existem profissionais inflexíveis defendendo teorias que aprenderam na faculdade, que não levam em consideração os pressupostos do bom atendimento ao cliente, mas exageram na perspectiva técnica, didática, metodológica. Todos sabemos que poucas são as pessoas que dispõem de mais de meia hora por dia para treinar, e talvez consigam isso no máximo três vezes por semana. Mas ainda hoje encontramos profissionais que dizem ao aluno que ‘será impossível atingir resultados com tão pouca frequência e tempo. Essa atitude só desestimula as pessoas que mais precisam de nossos serviços”, analisa.

Outro aspecto importante da profissão, segundo a Profa Vivian Carvalho, da Let’s Assessoria Esportiva, é a necessidade de quebra do paradigma de que “professor de educação física só serve para brincar e jogar bola”.

“Acredito que esse seja ainda um dos maiores desafios dos profissionais da área, visto que por muitos anos tivemos a educação física militarista e higienista dentro das escolas, seguida pela tendência da linha pedagógica, de atletas e, uma das últimas fases, que marca a educação física até os dias atuais, que é a fase popular. Essa é que precisa ser vencida, que não possui nenhum embasamento teórico”, observa Vivian.

Para Marynês, os profissionais precisam também perceber que optaram por uma carreira que, assim como as de modelo, jogador de futebol etc., é mais curta, pois, depende do bom estado físico, disposição etc. “E muitos se recusam a entender que devem buscar outras possibilidades para quando estiverem mais velhos, que não somente ministrar aulas, ainda mais em um País como o nosso que supervaloriza o jovem. Isso não quer dizer que os profissionais mais velhos não sejam bons, muito pelo contrário. Assim como em outras carreiras, a experiência é um bem que só contribui para o aperfeiçoamento profissional, mas, a maioria das empresas, não só de nosso segmento, prefere contratar mais jovens e que sejam mais vantajosos do ponto de vista econômico. Mas isso também vem mudando, especialmente no mundo corporativo”, observa.

Experiência x Competência

 

Na verdade, essa questão da experiência é um assunto que sempre gera polêmica nessa área. “A experiência é um fator muito relevante na contratação do profissional de educação física, porém, não podemos confundir experiência com competência. É necessária uma avaliação prática e uma entrevista com o profissional para que o responsável possa avaliar até que ponto sua experiência vai pesar na sua contratação. Muitas vezes, nos deparamos com candidatos recém-formados que ainda não possuem uma bagagem significativa, no entanto, quando colocados em cima de um palco ou na frente de um grupo de alunos para ministrar uma aula se revelam grandes promessas como professores”, comenta Cibele Silva, coordenadora de Academia, diretora da A Sua Chave – Agência Virtual de Empregos em Educação Física e professora universitária do curso de Educação Física.

Ela explica que em relação aos processos de recrutamento desses profissionais não houve mudanças significativas, ou seja, hoje ainda é comum se utilizar processos seletivos presenciais com avaliações teóricas e práticas para a escolha do candidato ideal. “Com o avanço tecnológico, temos vários meios de divulgar um currículo ou buscar por um profissional, que são os famosos ‘sites de emprego’, canais que, por sua vez, facilitam o trabalho de empregadores e promovem um aumento significativo na oportunidade de trabalho para os candidatos. Por outro lado, ao ter o contato direto com os profissionais que se candidatam para determinadas vagas, percebemos que a grande maioria está despreparada para atuar no mercado. São desprovidos de experiência, boa comunicação, proatividade e, muitas vezes, conhecimento”, relata.

Segundo ela, na hora de contratar um profissional de educação física, a preocupação é selecionar o candidato levando em conta sua formação, experiência e especialização na tentativa de aliar conhecimento e experiência. Entretanto, quando um profissional é escolhido para uma vaga através de seu currículo, se avaliam primeiramente as experiências anteriores, considerando o tempo e o local de trabalho.

Para quem quer incrementar o currículo, Cibele revela que cursos de qualificação são importantes e acrescentam valor ao profissional, porém, a experiência teórico/prática desse profissional é o que vai fazer grande diferença no teste ou entrevista.

“Hoje, há profissionais de educação física em diferentes empresas e exercendo várias funções. Existem empresas, inclusive, que contratam os profissionais também para coordenação de departamento, gerência de academia, consultoria para montagem de academia, enfim, é um mercado muito amplo onde se tem a oportunidade de crescimento dependendo das suas perspectivas”, revela.

Segundo ela, as habilidades, geralmente, exigidas ainda são conhecimentos técnico, teórico e prático do trabalho em questão, além da criatividade, liderança, segurança, capacidade de lidar com pessoas, educação e carisma.

Para se ter ideia da concorrência nesse mercado, Cibele revela que na Sua Chave há uma oferta de aproximadamente 40 vagas por mês entre 265 empresas cadastradas só em São Paulo, com  uma média de 20 acessos por dia no site de pessoas a procura de emprego, o que gera cerca de 60 cadastros por mês. “Considerando que somos uma empresa nova, com apenas um ano e meio no mercado, já podemos perceber que a oferta e procura apresentam números altos no geral. Os profissionais que entram em um site para cadastrar um currículo buscam, na maioria das vezes, pela primeira oportunidade de trabalho. Temos hoje muitos cadastros de profissionais experientes e muito bem qualificados, porém, a maioria são de profissionais iniciantes ou com pouca experiência na área”, conta.

Para Cibele, em função das rápidas mudanças pelas quais vem sofrendo a profissão, ela acredita que o formato de recrutamento no futuro será mais qualitativo, passando a exigir cada vez mais habilidades do profissional. “Criatividade, liderança, conteúdo, conhecimento, posicionamento e muitas outras características serão cada vez mais importantes no processo”, prevê.

 

Academias continuam sendo o foco

 

Ainda no aspecto experiência, Marynês Pereira, da Provider Solutions, lembra que embora o currículo seja ainda muito importante, existem casos de academias que contratam pela experiência, mas demitem pelo comportamento. “Por isso, ficam mais atentas às entrevistas comportamentais para poder contratar a pessoa certa para o lugar certo”, explica.

Para se destacar nesse mercado de trabalho, ela aconselha aos profissionais ingressarem em cursos nas áreas de liderança, gestão de negócios e pessoas e marketing, assim como cursos nas áreas de personal, pilates, ou tendências mundiais, já que o segmento exige que o profissional tenha visão sistêmica e estratégica. Hoje, segundo ela, cursos de idiomas e de informática também são valorizados na contratação.

Para Delton Cervinho Ferreira Lima, o que mais as academias de médio e grande portes levam em consideração é a experiência que o profissional traz, o que de fato pode suplantar os conhecimentos acadêmicos. “Há também uma tendência nova, já bastante difundida em empresas de varejo, na contratação por perfil psicológico somado à carga de experiência, pois é mais barato, mais rápido e mais eficaz trazer conhecimentos acadêmicos específicos a um profissional com alguma experiência do que fazer o caminho inverso”, revela ele.

Delton não acredita que, apesar das amplas possibilidades de atuação em outros nichos, as academias deixem de ser o foco dos profissionais de educação física, justamente por se tratar de um mercado em ampla expansão e profissionalização de sua gestão. “Já vemos atualmente empresas desse ramo com práticas de planejamento de cargos e salários, além de investimentos pesados em treinamento & desenvolvimento out e in company”, frisa.

Marynês Pereira também acredita que as academias continuarão sendo o nicho de maior oferta de emprego para os profissionais de educação física. “Muitos ainda preferem trocar a possibilidade de carreira ou de maior remuneração pelo glamour das academias e do palco. Mas existem muitas outras possibilidades, como, por exemplo, abrir o próprio negócio, oferecendo serviços de atividade física personalizada; treinamentos empresariais; recreação em eventos; jogos e dinâmicas empresariais; serviços junto a laboratórios e médicos, enfim, trabalho é o que não falta para quem tem imaginação, criatividade e muita competência”, destaca ela.

 

Remuneração ainda é baixa

 

O que também se observa no mercado de EF é que, assim como outras áreas, o segmento também é gerido pela lei de oferta e procura. Portanto, quanto mais disponibilidade de profissionais em determinados nichos, menor tende ser a remuneração.

“Não que as academias não propiciem ascensão profissional, mas com a grande quantidade de profissionais disponíveis atuando em uma mesma área, menor será a remuneração e menor as possibilidades de conseguirem se destacar”, destaca Marynês.

Segundo ela, em relação à década de 90, a remuneração desse profissional diminuiu em 40%, especificamente para os que atuam em academias, justamente pela grande oferta de mão-de-obra nesse segmento.

Vivian, da Let’s Assessoria Esportiva, também lembrou que os pisos salariais dos profissionais variam muito de região para região do País. “Dentro das escolas, o trabalho do professor de educação física é um dos mais desvalorizados, podendo o professor ganhar de R$ 6,00 a R$ 20,00 pela hora/aula. Em cidades pequenas, os valores podem ser ainda inferiores”, salienta Vivian.

Segundo ela, nas academias, os valores de salários são também muito variáveis, pois depende muito dos critérios que cada uma adota. “Mas, com certeza, os salários pagos a professores de academias poderiam ser bem melhores se professores graduados não concorressem diretamente com professores estagiários”, lamenta.

O fato é que para ter uma remuneração que a pessoa considera ideal, ela deve se destacar e oferecer algo mais, descobrindo possibilidades de atuar com serviços que o cliente precisa e está disposto a pagar. “Qualquer mercado valoriza  mais a raridade do que a importância. O empresário está disposto a pagar pelos seus diferenciais.O que você tem a mais em relação aos demais?”, pergunta Marynês.

A Profa Vivian também confirma essa realidade. Segundo ela, hoje, não é suficiente ser apenas mais um no mercado de trabalho. “Para ganhar espaço e construir uma carreira sólida e de sucesso, é preciso oferecer serviços diferenciados. Um ponto fundamental hoje é trabalhar com parcerias, equipes multidisciplinares que tenham fisioterapeutas, nutricionistas, médicos, professores específicos, todos juntos oferecendo maior suporte ao cliente em potencial”, ressalta Vivian.

Ela lembra que a profissão está em um período de transição, de questionamentos e mudanças, tanto nas características próprias da sociedade (mudar o estilo de vida) quanto também na alteração do perfil profissional, ou seja, o educador físico precisa abandonar o lado do professor militarista, superficial e sem objetivos específicos, para adotar uma postura flexível, respeitando os interesses de cada aluno e sempre buscando novos conhecimentos.

“Ao mesmo tempo em que estamos em crescimento em alguns setores da área, temos também um mercado saturado de profissionais em outras. Além da questão dos profissionais formados que competem com estagiários dentro do mercado de academias, temos uma grande parcela de professores grande disputando uma vaga em concursos públicos em função da estabilidade e ganhos financeiros melhores. Isso faz com que faltem profissionais capacitados para atuar nos outros setores”, analisa Vivian Carvalho.

Atualmente, segundo Vivian Carvalho, o carro-chefe da educação física são os serviços personalizados (personal tainer, professores particulares de esportes e assessores esportivos), cujo valor da hora/aula pode chega variar de R$ 20,00 a R$ 80,00, dependendo do objetivo do cliente. “Não podemos nos esquecer da pequena parcela de profissionais que conseguem se destacar no mercado montando sua própria academia ou assessoria e até mesmo trabalham como treinadores de grandes times esportivos, conseguindo atingir um salário bem superior ao da maioria”, lembra.

 

Polêmica do estágio

 

De fato, essa questão da remuneração acaba tendo ainda maior desdobramento quando se traz à tona a discussão sobre a presença dos estagiários em academias. A maior reclamação dos profissionais formados é que muitas academias optam pelo estagiário, que, em geral, recebe um salário menor, sem levar em conta, muitas vezes, a qualidade do serviço que é oferecido aos seus alunos.

Segundo Flavio Delmanto do CREF-4, existem dois tipos de estágios: o estágio curricular, que faz parte do curso de graduação e somente pode ser feito com orientação e supervisão do professor da faculdade ou universidade, e o extracurricular, que o aluno somente pode atuar a partir da metade do curso, o qual segue a lei de estágio no Brasil, ou seja, não é de responsabilidade da faculdade.

“O problema é que muitas empresas optam pelos estagiários para pagar menos e ter menos encargos trabalhistas. A legislação determina que os estagiários sejam supervisionados por profissionais graduados. Mas, geralmente, um profissional formado supervisiona mais de um estagiário. O que acontece é que o estágio está virando opção de mão-de-obra barata. Os empresários não percebem que podem estar oferecendo um serviço de qualidade inferior para seus alunos, o que depõe contra a sua própria empresa”, alerta Flavio Delmanto.

Na opinião de Delton Cervinho Ferreira Lima, o estágio deveria ser, em última análise, a oportunidade do aluno universitário colocar em prática os conhecimentos acadêmicos de maneira supervisionada. “O que vemos na prática é uma perversão desse conceito. O aluno universitário, na realidade, de maneira quase autodidata, atua sozinho nas empresas e quase nunca tem uma supervisão adequada à sua condição de aluno universitário. Essa prática desequilibra o mercado de maneira negativa, pois um profissional que fatalmente seria mais ‘caro’ para essa empresa, é preterido em função desse aluno universitário”, explica.

 

Profissão de futuro

 

Em meio a conquistas e muitos desafios, a profissão de educação física deve ainda passar por muitas mudanças nos próximos anos. Para Marynês, o futuro da profissão dependerá da postura dos próprios profissionais. “Poderemos ter um mercado extremamente amplo, com altas remunerações e profissionais respeitados, ou uma carreira em extinção, se continuarmos fechando os olhos às tendências do setor, que exige alta qualidade e alto profissionalismo. Se continuarmos agindo de forma amadora (atrasando nas aulas, faltando muito ao trabalho, não cumprindo prazos, não entregando o que é prometido etc.), motivaremos empresários e investidores do setor em curto espaço de tempo a buscar outras soluções e relações de trabalho mais rentáveis”, alerta.

Na visão de Delton, no futuro, o investimento deveria ser em uma formação mais consistente. Para ele, o profissional que a universidade entrega não está pronto para ser absorvido pelo mercado. “A escola, geralmente, forma profissionais incapazes de pensar a profissão de maneira customizável e lucrativa. Essa pessoa entra no mercado de trabalho de fitness entendendo que o mais importante é melhorar o limiar anaeróbico do ‘aluno’ do que compreender os motivos que fizeram o cliente ter uma performance insatisfatória no treino. E esse não é o pior quadro!”, destaca.

Delton aponta dois problemas graves na formação do profissional: o primeiro refere-se à formação pré-universitária, feita de maneira precária com políticas educacionais sem compromisso com a excelência; o segundo é a formação acadêmica que coloca, subliminarmente, na cabeça dos universitários que eles somente podem atuar de maneira operacional. “Quantos gestores em qualquer segmento esportivo tem sua primeira formação em educação física? Via de regra, infelizmente, somos um grupo profissional, gerido de maneira rudimentar e lacônica, por profissionais de educação física sem algum conhecimento das ciências da administração, economia ou marketing”, critica.

Para Vivian Carvalho, proprietária da Let’s Assessoria Esportiva, o profissional de Educação Física do futuro deve estar bem preparado, atualizado e capacitado para assumir cargos de coordenação, supervisão e gerência, bem como se tornar empreendedor. Ou seja, destacar-se no meio da profissão e, principalmente, dentro das áreas da saúde e bem-estar.

“A tendência é melhorar, visto que as pessoas estão sempre em busca de saúde, boa forma, lazer e performance. E isso está diretamente ligado à atuação do profissional de educação física. O MEC, juntamente com o sistema CONFEF – CREF, já vem trabalhando nesses últimos anos para que os graduandos tenham uma formação acadêmica voltada para as tendências de mercado. Acredito que cada vez mais os profissionais estarão preparados para suprir as necessidades do mercado de trabalho, tanto na área escolar como dentro do fitness e até mesmo no desenvolvimento de pesquisas e na área acadêmica. Com isso, teremos cada vez mais profissionais capacitados e devidamente instruídos, prontos para assumir a frente do mercado de trabalho”, prevê Vivian.

 Por Madalena Almeida – Jornalista

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Publicado em 06/12/2011, em Carreira Profissional, Gestão de Negócios, Gestão de Pessoas e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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